Apostilas para concursos 2018

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Sexta-Feira, 22 de Junho de 2018.

UPENET | Níveis Médio e Superior de Escolaridade

» Polícia Militar de Pernambuco (PM PE) abre concurso para 580 vagas

 

SANTO ÂNGELO | Níveis Fundamental, Médio e Superior

» Prefeitura de Boa Vista Do Buricá (RS) abre concurso para 25 vagas

IBAM-SP | Níveis Médio e Superior

» Prefeitura de São José dos Campos (SP) abre concurso para 35 vagas

FCC | Níveis Médio e Superior

» Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT2) abre concurso para 320 vagas

 

Concursos da Vunesp

CESPE UnB | Nível Superior| Salários vão de R$ 11.983,26 a R$ 22.672,48.

» Polícia Federal abre concurso para 500 vagas em todo o país

 

 

 

 

Crônica



A origem da Crônica

Já nas mais antigas civilização conhecidas(Egito, Suméria, Assíria) aparece uma curiosa figura: o escriba. Sua função? Escrever, é evidente. Escrever o que e para quem? Estava a serviço do rei, faraó, ou pessoa de grande destaque na hirerarquia dirigente. Fazia o registro de operações de compra e venda, uma contabilidade rudimentar, preparava dados biográficos de nobres e aristocratas, mas principalmente, acompanhava seus chefes nas campanhas guerreiras, fazendo relatos de cada etapa, vitória, derrota ou conquista. Tais registros seriam lidos, ao retorno das andanças bélicas, pelos sacerdotes, para encantamento da população que mandara seus filhos ao sacrifício pela glória do supremo dirigente.



O que pode deduzir de tais registro é que não passavam de uma espécie de “diário de campanha”, cuja fidelidade aos fatos era bastante duvidosa, já que se destinavam a elogiar e enaltecer o chefe. Essa tendência de muitos escritores se mantém até os dias atuais, refletindo o que diz esta antiga máxima: “Aos reis, como às crianças, é preciso enganá-los, para seu próprio bem”. Sintomaticamente, José de Alencar colocou esse provérbio na introdução de seu livro Crônica dos Tempos Colonais, debaixo de um subtítulo: Advertência.

Aí está, com todos os seus vícios de origem, a primeira manifestação de um gênero que, depois, derivou para a crônica, ou para o diário e até para a autobiografia.

O que mais se aproxima, hoje, de atividade dos antigos escribas é, certamente, o noticiárista, encarregado de relatar os fatos do dia a dia, para jornais, rádios e televisões, sem lhes acrescentar comentários.

A função do noticiarista – presença do relator no próprio momento em que o fato acontece; registro de detalhes que, de outra forma, teriam caído no esquecimento; tendência a certos desvios, como os provocados pela exigência dos reis ou das modernas empresas de comunicação social.



O cronista de si mesmo

Outro tipo de cronista é o que dispensa o escriba e passa a relatar seus próprios feitos gloriosos. Exemplo típico foi de Júlio César que, no livro De Bello Galico (sobre a Guerra nas Gálias), conta sua saga para a posterioridade. Foi personalidades históricas, como o Marechal Montgomery, o general Von Rommel e outros, são frequentes.

Se, por uma lado, isso pode levar a distorções quanto à veracidade dos fatos, por outro, o receio de parecer ridículo, exagerado ou até mentiroso deve ter contido, em muitos esses relatos autobiográficos, os impulsos de auto-exaltação. Pelo menos uma constatação tem sido feita: os historiadores não encontraram fatos a contestar em tais crônicas de campanha.

O Cronista a distância

O cronista pode também manter-se a distância dos fatos.
É bem antiga essa forma de relatar. Já encontramos em Homero que, com certeza, não esteve presente nos episódios que relatou. Mas sua forma de dizê-lo, embora em versos, é típica da crônica:

“Fomos aí ter magnífico porto, cercado ele todo
de pedras íngremes, que nuas se erguem por ambos os lados.
Dois promontórios, em frente postados um ao outro, se encontram
logo na entrada, salientes...”

A linguagem é a mesma do cronista “tesmunha ocular da História”, mas, evidentemente, muito de imaginação e de visão poética entrou na composição da Odisseia e da Ilíada.
Porém, um fato bem posterior e até recente comprova que, mesmo a distância, Homero procurava a fidelidade histórica. Tanto assim, que foi pela sua obra que se localizou o sítio onde outrora existiu a cidade de Tróia.
Cronista a distância também foi Fernão Lopes, o mais importante dos relatores portugueses da passagem medievo-renascentista, pois ele escreveu e recompôs, com base em documentos pesquisados, a vida e os feitos de diversos reis de Portugal.

O fato de fazerem crônicas a distância os aproxima muito do historiador, pois o fato histórico e sua análise se mantém perpetuando seus protagonistas.

É ainda José de Alencar quem nos conta como concebeu a Guerra dos Mascates:

“Tomando ao gabinete, depois de uma manhã perdida, deu-me a curiosidade de examinar as antigualhas do embrulho (que lá fora deixado por um sacristão...) antes de mandá-las para o lixo. (…) Era o manuscrito de uma crônica inédita sobre a Guerra dos Mascates.”

A Crônica Moderna

Na verdade, a crônica, que chamamos de moderna, não é tão moderna e talvez não seja tão crônica...

Por exemplo: a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, relatando a descoberta do Brasil, não é uma carta. É uma crônica, no melhor dos estilos de “testemunha ocular da História”. Respeitou todas as técnicas da cronologia, com datas e até horários, descrevendo passo a passo os acontecimentos. Por outro lado, o autor faz comentários, aconselha, sugere, critica tudo ao mesmo tempo. Ora, essa miscelânea quer de assuntos, quer de posições assumidas pelo cronista é bem típica de uma vertente da crônica atual. Ela começa com pequenos tópicos, baseados em acontecimentos do dia e analisados ora jocosa, ora humoristicamente; quase sempre mordaz, de vem em quando poética, intimista, porque vai à intimidade do autor, geralmente personalidade famosa do mundo das letras, sobre quem o leitor quer sempre saber mais alguma coisa, de preferência íntima, particular, secreta. Um exemplo bem marcante é a crônica “Meu filho, em que Vargas Llosa revela pormenores de sua vida familiar, de roldão com sua atividade mundana como integrante de júris cinematográficos.

No Brasil, tal tipo de miscelânea teve grandes figuras: Viriato Correia, Humberto de Campos e seu Conselheiro XX, Álvaro Moreyra, João do Rio e bem mais modernamente, Rubem Braga, Fernando Sabino, Rachel de Queiroz, Paulo Francis, Carlos Drummond de Andrade.

Mas há, também, tipos de crônica que se especializaram: a crônica política como o fez Heitor Cony durante longo tempo e faz atualmente Alexandre Garcia; a esportiva, como a que fazia João Saldanha; a humorística, de Luiz Fernando Veríssimo; a social, de Jacinto Thormes; a gastronômica, de Sylvio Lancellotti; a exonômica, de Joelmir Betting, e tantas outras.

A crônica, hoje, é agrangente, envolvente, envolve memória e profecia, presente e passado, literatura e polêmica, exaltação e condenação. Está livre dos senhores e mecenas, cada vez mais personalizada, refletindo muito mais o subjetivismo do autor do que o objetivismo dos fajtos. E o cronista se transforma em testemunha ocular de si mesmo.





O assunto da crônica é, em geral, um fato vivenciado pelo seu autor. Um desses inúmeros acontecimentos que povoam nossa vida de todo dia. Acontecimentos que ficam muito fortes na nossa memória, mas também episódios que chamam a atenção pelo seu lado pitoresco ou engraçado. Ou, ainda, situações inesperadas ou absolutamente banais, mas que nos fazem pensar na vida.

Por isso é que a crônica tem um certo aspecto jornalístico: é como se o autor estivesse nos dando uma notícia do evento que ele vivenciou. Contudo, diferente da notícia, a crônica não é um relato frio (distante, objetivo) do evento: o autor faz questão de deixar bem claro que a perspectiva com que está apresentando o evento é bem particular, bem pessoal, bem subjetiva.

Daí também o tom de informalidade da crônica; esse é o ar “de conversa entre amigos”, de “veja o que aconteceu”- que a caracteriza. Por tudo isso, a crônica é um tipo de texto muito adequado para relatarmos as muitas histórias que a vida conta; para explorarmos o humor do cotidiano; para deixar aparecer o lado lírico, mas também o lado trágico do nosso dia-a-dia.

Um detalhe interessante na crônica: é um tipo de texto que facilita ao autor abordar de maneira mais leve um tema penoso, difícil, doloroso, quebrando o tom sério com que o trágico costuma ser tratado.






 

 

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